A pessoas que nos interessam


Por que fugimos de quem gosta de nós e enlouquecemos por quem não nos dá bola? Que sede é essa de algo que não se pode ter? Será que é o medo de alcançar o amor e, por isso, preferimos viver de incertezas? Talvez. Possa ser também o medo de si mesmo, e isso é tão idiota de explicar. Simplesmente porque dentro da gente faz sentido, mas ao falar, as palavras se perdem e viram hesitações. 

Quando digo medo de si mesmo, falo em receio de reviver o que se viu, viveu ou imaginou - separação de familiares tá incluso. Insegurança de ver alguém se doar, se entregar e amar, enquanto ainda não sabe fazer o mesmo. De começar achando que agora vai e, quando menos esperar, querer fugir de tudo e todos. Como explicar que quer viver tudo aquilo, mas ainda não? Como adiar os amores certos, mas que só chegam na hora errada? E como tirar essa sensação de que a solidão é o final, já que parece que as chances boas estão a passar sempre? Não faço a mínima ideia!

Então é claro que o mais fácil a se fazer, para lidar com essa situação, é querer quem não nos quer, porque assim, só rola aquele querer instantâneo e não o fixo. Quando quisermos pular fora, ninguém estará machucado, só a gente mesmo, mas passa, passa?

Difícil saber que, neste momento uns queriam muito estar ao nosso lado, mas nós preferimos estar com os parecem se entediar até com nosso respirar. Que droga de doença é essa que prefere receber indiferença ao invés de reciprocidade? Que faz você deixar um no vácuo, por ficar olhando o online/offline de outro? É complicado ver que, se os que se interessam por nós, são tudo, menos o que queremos. E o que de fato queremos? Ah! Que poço sem fim...

Poderíamos brincar facilmente de quebra-cabeça, pegando os corpos que nos atraem e juntando com as personalidades e estilos que gostamos. Seria mais ou menos assim: Caetano no corpo de Silas e com a postura de André. Mas na verdade, ainda que isso fosse possível, sem dúvidas, novamente teríamos algo ''perfeito'' e cá estaríamos a correr novamente. 

Somos tão imperfeitos que, queremos alguém assim também, mas a nossa cabeça é tão cheia de parafusos implantados, que vivemos correndo de tudo e todos por medo, um medo que parece não ter fim. Quando estamos diante de algo que mostra ser imperfeito, nos parece um mal caminho. Já se aparenta ser perfeito, nos lembramos que não podemos devolver o mesmo e, fugimos. 

Mas de uma coisa sei, todos nós, no fundo do peito, esperamos que venha alguém, que nos rasgue esse colete e nos deixe rasgar o seu também. Que nos faça esquecer tudo isso e apenas ir. O tenso da história, é que muitas vezes já o encontramos, mas aos olhos medrosos este é visto como algo a ser evitado. 

Vêem como isso é algo que sempre volta para a mesma questão? É o que acontece quando se tenta explicar... Bom, algum dia terei a resposta de todas essas perguntas e a linha que liga e segura todos esses pensamentos. 



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