Parceria com validade


Eu não queria seu corpo, sua família, seu amor, seu nome, seu dinheiro, seu lanche, sua vida e muito menos o seu espaço. Desde o começo falei: te aceito como você é e pode contar comigo. Então, quando ficava ao seu lado, era simplesmente por você, pela sua companhia. Deixei você ocupar o lugar ao meu lado, escutar minhas histórias e conhecer algumas loucuras minhas. Até confessar o que vinha na minha mente eu confessei, tudo isso porque a gente parecia se entender bem. 

Várias vezes eu quis aproveitar a solidão sozinha, mas deixei você ficar. Nisso, a gente cerrou bebida, conhecimento, tempo e risos. É difícil ouvir as pessoas, mas sempre te ouvi. Te entendi desde a primeira conversa e sempre quis poupar suas explicações sobre si mesmo. E foi simplesmente por te entender e te aceitar como a pessoa que é, que eu me senti capaz de ficar ao seu lado. 

Mas eu não queria pra sempre, não queria como as outras, nem como você imaginou. Eu só queria alguém pra sentar e falar das coisas, dizer se o dia tava uma bosta ou se tava sendo bom, comprar salgado, dividir e falar o que fosse vindo na cabeça. Uma pessoa que estaria ali, acolá, mas que eu poderia contar. 


Um dia desses, a sua janela era a que mais me deixava confortável pra compartilhar as coisas mais legais. Hoje eu a abro, conto até 4 e fecho. Só queria que você tivesse ficado mudo, ao invés de dizer que gostava da minha companhia. Preferia que tivesse tomando um gole de cerveja ao invés de me fazer achar que eramos parceiros. 

Desde o começo expliquei como eu era e você confirmava entender, mas hoje, sei que nem Feliz Natal me desejaria. Apenas porque você nunca foi, nem nunca seria meu parceiro. Não me conhecia e nunca entenderia nada. Diferente de mim, que estaria sempre ali, você mal sabia onde estava. Ficava lá, com aquela cara de mariposa vesga, me dizendo que me entendia e na primeira oportunidade, largou minha mão. Então suma, leve seu corpo vazio, sua parceria com validade e me deixe aqui, em paz. 

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